Neste programa Carlos Cardoso conversou com Vítor Caldeirinha, Presidente do Conselho de Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra e da Administração do Porto de Lisboa. Uma entrevista marcada pela visão estratégica e pelo profundo conhecimento de quem dedicou grande parte da sua vida profissional ao setor portuário.
Ao longo desta conversa, foi possível revisitar o percurso de crescimento do Porto de Setúbal, que nos últimos anos se afirmou como uma referência nacional, particularmente nos setores automóvel e industrial.
No entanto, os temas abordados foram muito além dos indicadores económicos e dos volumes de carga movimentados.
Falou-se do investimento previsto para o Terminal da Mitrena, das oportunidades que poderão surgir para as empresas locais e da capacidade de Setúbal atrair novos investidores. Debateram-se igualmente os desafios da competitividade portuária, nomeadamente a necessidade de reforçar as ligações ferroviárias, consideradas essenciais para tornar o porto mais eficiente e sustentável.
Mas esta entrevista teve também uma dimensão humana e territorial. Discutiu-se a forma como o porto pode contribuir para a criação de emprego qualificado, ajudando a fixar jovens talentos na região e abrindo novas perspetivas para as futuras gerações. Refletiu-se ainda sobre a necessidade de conciliar diferentes realidades que fazem parte da identidade setubalense, a indústria, o turismo, a riqueza ambiental e a histórica ligação ao mar.
A economia azul, as energias renováveis e as novas atividades associadas ao espaço marítimo surgiram igualmente como áreas de enorme potencial, capazes de posicionar Setúbal na linha da frente da inovação e do desenvolvimento sustentável.
No fundo, esta entrevista foi um exercício de reflexão sobre aquilo que Setúbal poderá vir a ser. Uma cidade que valoriza a sua história, mas que não deixa de olhar para o futuro, uma região que procura crescer economicamente sem perder a sua identidade, um território onde o porto pode continuar a ser um motor de progresso, de criação de riqueza e de oportunidades para todos.
Ficou claro que o futuro de Setúbal não depende apenas das decisões tomadas dentro dos limites do porto. Depende também da capacidade de toda a comunidade, instituições, empresas, escolas e cidadãos, trabalhar em conjunto para construir uma visão comum para o concelho.
Mais do que uma entrevista sobre o Porto de Setúbal, este foi um momento de partilha de ideias sobre o futuro da cidade e da região. Um futuro que se constrói todos os dias, através do debate, do planeamento e da vontade coletiva de fazer de Setúbal um lugar cada vez melhor para viver, trabalhar e prosperar.
Porque pensar Setúbal é, acima de tudo, acreditar nas suas potencialidades e nas oportunidades que podem surgir para as próximas gerações.
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